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Logotipos de casas de apostas terão de ser removidos de materiais físicos de patrocínio e publicidade até 5 de outubro, colocando em risco centenas de milhões de dólares em receitas comerciais do futebol.
A proibição das apostas no Brasil está forçando empresas do setor a deixar os patrocínios no futebol, colocando sob pressão imediata importantes acordos comerciais de clubes e competições em todo o país.
Segundo a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro, operadores de apostas de quota fixa não podem mais anunciar nem firmar acordos de patrocínio no Brasil. Materiais físicos de patrocínio e publicidade externa já existentes deverão ser removidos até 5 de outubro.
As restrições afetam marcas em camisas, publicidade em estádios e outros ativos comerciais que se tornaram uma importante fonte de receita para o futebol brasileiro.
Marcas de apostas patrocinam 14 dos 20 clubes da Serie A
A maior exposição está na Serie A brasileira, onde 14 dos 20 clubes atualmente têm empresas de apostas como principais patrocinadoras de suas camisas.
Esses contratos de patrocínio master valem aproximadamente R$910 milhões por ano, equivalentes a cerca de $175 milhões com base nas taxas de câmbio do fim de setembro. Flamengo, Corinthians e Palmeiras estão entre os clubes com os maiores contratos individuais.
O impacto financeiro vai além dos principais acordos de patrocínio nas camisas.
Empresas de apostas contribuíram com cerca de R$1,03 bilhão para a receita de patrocínios dos clubes da Serie A em 2025, segundo pesquisas citadas pela mídia brasileira. Isso representou aproximadamente 7% da receita total dos clubes e cerca de um terço de suas receitas comerciais.
A retirada repentina desse dinheiro deixa os clubes com pouco tempo para substituir patrocinadores que, em alguns casos, haviam firmado contratos de vários anos.
Vários operadores já haviam alertado os clubes de que os contratos poderiam ser suspensos ou rescindidos caso a publicidade de apostas se tornasse legalmente impossível.
Clubes enfrentam problemas contratuais e com produtos licenciados
As restrições criam problemas operacionais além da perda dos pagamentos de patrocínio.
Os clubes já produziram camisas e outros produtos com logotipos de apostas, enquanto os estádios possuem placas publicitárias e outros ativos de marca que agora precisam ser alterados.
Os acordos comerciais também podem conter diferentes cláusulas para mudanças regulatórias. Algumas podem permitir rescisão imediata sem penalidades, enquanto outras podem exigir suspensão, renegociação ou devolução de valores já recebidos.
O impacto também atinge empresas ligadas aos patrocínios no futebol, incluindo fabricantes de uniformes, varejistas, agências e outros negócios envolvidos na produção e distribuição de materiais de marca.
A perda financeira exata dependerá de como os contratos existentes serão encerrados e de os clubes conseguirem ou não novos patrocinadores.
Governo discute programa de crédito de R$20 bilhões
O governo federal também está discutindo um programa de reestruturação financeira para clubes de futebol e sociedades anônimas do futebol, conhecidas como SAFs.
A proposta inclui uma linha de crédito de até R$20 bilhões, aproximadamente $3,8 bilhões, que poderia permitir aos clubes refinanciar passivos existentes por meio de empréstimos mais baratos e de prazo mais longo.
O plano em discussão ofereceria prazos de pagamento de até 20 anos e um período de carência de dois anos. A estrutura seria de financiamento, e não de perdão de dívidas, e ainda não foi formalmente implementada.
Os recursos seriam destinados principalmente ao refinanciamento de obrigações financeiras, tributárias e trabalhistas existentes e ao apoio à infraestrutura, em vez de financiar transferências de jogadores ou a folha salarial atual.
A proposta ganhou urgência após a proibição das apostas, embora alguns clubes financeiramente mais sólidos possam decidir que não precisam de financiamento apoiado pelo governo.
Futebol perde uma de suas maiores categorias de patrocinadores
As empresas de apostas se tornaram algumas das parceiras comerciais mais importantes do futebol brasileiro depois que o mercado online regulamentado foi aberto em janeiro de 2025.
Sua presença se expandiu além das camisas dos clubes para publicidade em estádios, naming rights de competições, campanhas de mídia e outros ativos de patrocínio.
A decisão de 25 de setembro reverte essa tendência em questão de dias.
Os operadores licenciados terão de interromper suas plataformas de apostas após o período de transição, enquanto as restrições à publicidade significam que os clubes de futebol não podem simplesmente manter os contratos de patrocínio enquanto a situação jurídica mais ampla é resolvida.
A medida provisória já está em vigor, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso para se tornar permanente. Até que seu status jurídico seja definido, os clubes enfrentam a tarefa imediata de remover as marcas de apostas e substituir uma categoria de patrocínio que havia se tornado central para o crescimento comercial do futebol brasileiro.
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